Introdução
A internacionalização de empresas e investimentos é uma realidade crescente. Com ela, surge a necessidade de planejar a carga tributária em diferentes países. É aí que entra o planejamento tributário internacional, uma ferramenta essencial para reduzir legalmente os impostos, aumentar a competitividade global e evitar problemas com o Fisco nacional e estrangeiro.
Mas, junto com as oportunidades, vêm também riscos importantes, como a caracterização de fraude, autuações fiscais e problemas com a Receita Federal do Brasil (RFB).
Neste artigo, vamos explicar de forma clara e objetiva:
O planejamento tributário internacional é o conjunto de estratégias utilizadas por pessoas físicas ou jurídicas para reduzir a carga tributária em operações com elemento de conexão com mais de um país.
Isso pode envolver:
A prática é legal, desde que siga os limites da legislação brasileira e internacional, e não configure evasão fiscal ou simulação.
Fundamentos Legais
No Brasil, a base legal para o planejamento tributário internacional envolve:
🔗 Veja a lista de acordos internacionais assinados pelo Brasil
Vantagens do Planejamento Tributário Internacional
Empresas podem estruturar operações em países com tributação mais favorável, de forma lícita. Isso é muito usado por multinacionais e investidores globais.
Exemplo: abrir uma holding em Portugal ou no Uruguai pode reduzir a carga sobre dividendos e ganhos de capital.
Ao internacionalizar parte do patrimônio ou da estrutura empresarial, o empresário protege seus bens de instabilidades locais, dívidas e questões judiciais.
Estruturas internacionais facilitam:
Com o uso de ADTs (Acordos para Evitar a Dupla Tributação), o contribuinte evita ser tributado duas vezes – no Brasil e no exterior – sobre a mesma renda.
Exemplo: Brasil e Japão possuem acordo que evita dupla tributação sobre lucros de empresas com atividades em ambos os países.
Holding internacional também é usada como ferramenta de planejamento sucessório, facilitando a partilha de bens em vida e evitando litígios judiciais familiares.
Riscos do Planejamento Tributário Internacional
Apesar das vantagens, o tema exige muito cuidado. Alguns dos riscos incluem:
Se a Receita Federal identificar que a estrutura criada não tem propósito negocial legítimo, pode desconsiderá-la e tributar a operação como se fosse brasileira.
Isso se chama desconsideração da personalidade jurídica por abuso de forma (Art. 116, par. único, CTN).
Empresas que operam com partes relacionadas no exterior devem respeitar as regras de preços de transferência. Caso contrário, a Receita pode:
🔗 Saiba mais sobre preços de transferência na RFB
Mesmo estruturas lícitas podem ser atacadas pela Receita se forem vistas como meramente artificiais ou sem substância econômica real.
Exemplo: empresa sem funcionários, sem operação, registrada apenas para pagar menos imposto.
A Receita Federal tem intensificado o uso de tecnologia para rastrear operações internacionais e autuar planejamentos abusivos.
Além disso, o Brasil adota o intercâmbio automático de informações com mais de 100 países via o sistema CRS (Common Reporting Standard), o que torna ocultações quase impossíveis.
✅ Propósito de Negócio Real
Tenha justificativa econômica legítima: expansão, proteção, investimento, novos mercados. Isso afasta a acusação de simulação.
✅ Estrutura Documental Clara
Formalize tudo com contratos, atas societárias, registros e relatórios contábeis que comprovem a veracidade da operação.
✅ Assessoria Especializada
Contrate advogados e contadores com experiência em tributação internacional. Um erro pode gerar prejuízos milionários e complicações legais.
✅ Estudo dos Tratados Internacionais
Entenda como os ADTs e convenções tributárias impactam cada operação, especialmente em países com legislação complexa.
Exemplo Prático
Uma empresa brasileira que exporta serviços digitais cria uma subsidiária em Portugal (via o regime NHR). A subsidiária recebe os valores e repassa dividendos ao Brasil com isenção de IR na fonte em Portugal e regime especial de isenção no Brasil.
➡️ Resultado: pagamento menor de tributos de forma legal, com dupla conformidade fiscal.
Conclusão
O planejamento tributário internacional é uma ferramenta poderosa para quem deseja expandir internacionalmente, reduzir impostos, proteger patrimônio e aumentar a competitividade global.
Mas exige cuidado, transparência e legalidade.
Se mal estruturado, pode virar um pesadelo tributário, com autuações, multas e até ações penais.
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